A Solo – Maria Luís França

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Olá Maria, de onde és?
Sou natural de Cortegaça, no concelho de Ovar.

Qual é a tua idade?
Tenho 19 anos.

Que instrumento tocas?
Violino.

Qual foi o teu primeiro encontro com a música clássica?
Desde cedo que comecei a contactar com a música clássica, através de concertos aos quais os meus pais me levavam. Iniciei o estudo do violino aos meus 3 anos de idade, nesta fase por iniciativa dos meus pais, mas rapidamente percebi que gostava bastante de o fazer. O meu primeiro encontro mais próximo e consciente com a música foi precisamente nesta altura. Lembro-me perfeitamente da minha primeira aula, até porque havia um problema com o meu violino e a minha professora disse-me que não ia poder tocar, porque ele estava “doente”.

Quando decidiste que te querias tornar música profissional?
Durante todo o meu Ensino Secundário fui perseguida pela dúvida e me interroguei se a Música seria, ou não, o caminho a seguir. Após terminar o 8º Grau acabei por não optar pelo curso de Música no Ensino Superior, mas tendo em mente que a Música será sempre uma parte fundamental da minha vida e que estará sempre presente, mesmo que não seja profissionalmente.


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Desde quando fazes parte da Jovem Orquestra Portuguesa? Podes contar um pouco sobre essa experiência?
Faço parte da JOP desde 2017. Assim que cheguei fui muito bem acolhida e, desde então, tem sido uma experiência que me tem oferecido imenso, quer na vertente de enriquecimento da minha experiência musical e cultural, quer no meu crescimento e desenvolvimento pessoal.

Ser JOPiano/a marca o percurso daqueles que passam pela experiência de o ser.

Ser JOPiano/a é inspirar e ser-se inspirado. É ser um participante ativo na sociedade que queremos construir. É aceitar qualquer desafio com um sorriso, por mais duro que possa parecer. É levantar os braços, mesmo quando à nossa volta o mundo parece desabar. É não ter medo de arriscar.

Ser JOPiano/a é usar a música e a arte como pilares para a construção do intelecto e da alma.

Como é trabalhar com o Maestro Pedro Carneiro?
Trabalhar com o Maestro Pedro Carneiro é uma enorme honra. Cada ensaio é um desafio e é sempre feito um trabalho com muito respeito pela obra que está na estante. O Maestro, para além de um notável músico, é uma pessoa muito inspiradora e um exemplo de conhecimento, criatividade e autenticidade. Em cada obra interpretada, o Maestro convida-nos a escrever uma história, na qual todos têm a oportunidade de ocupar o papel de narrador. É um privilégio poder receber os seus ensinamentos e partilha de experiências.

A equipa artística é uma peça fundamental para a concretização do projeto, é quem efetivamente permite que tudo aconteça. São todos extremamente organizados e trabalham afincadamente para que as atividades sejam realizadas com o maior sucesso e para que cada um se sinta bem e confortável durante os vários encontros.


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Existem momentos na JOP que se destacam pelo seu significado e porquê?
São vários os momentos passados na JOP que guardarei para sempre comigo no coração.

Primeiramente, destaco o concerto nos Dias da Música de 2018, no CCB, que foi o meu primeiro concerto com a JOP. Este foi um momento bastante agridoce, porque a continuidade da JOP estava em risco e aquela que havia sido a primeira estava em vias de ser também a última vez que tocaria com este grupo. Nessa altura, ouvia com frequência que “tinha sido um azar ter entrado na JOP nesse ano”, mas eu sinto precisamente o contrário. Lamento profundamente que a situação tenha acontecido, mas, já que assim foi, sinto-me muito feliz por ter participado no movimento #SaveJOP e foi muito bonito ver como o nosso esforço e união acabaram por fazer toda a diferença.

Guardo também com muito carinho a estreia, na Konzerthaus Berlin, da obra “Alcance”, do compositor João Godinho, no verão de 2019. Esta foi, sem dúvida, uma das experiências de maior aprendizagem na minha vida, uma grande lição de superação. Acabar de tocar e ver os rolos que decoramos a percorrer a plateia, as lágrimas e os sorrisos dos músicos, dos solistas e do público foi indescritivelmente arrepiante. É um momento que irei para sempre recordar.

Mais recentemente, os estágios que se desenrolaram já durante a pandemia foram também momentos muito especiais e de refúgio. Para mim, foi muito importante voltar a fazer música com a JOP em tempos tão desconcertantes e incertos.

A JOP é diferente? Porquê?
Sem dúvida! A JOP distingue-se de todas as outras orquestras das quais já fiz parte, precisamente pelo facto de não ser apenas uma orquestra. Cada estágio é uma viagem que cada um ajuda a construir. Na JOP somos constantemente convidados a explorar todo um conjunto de outras valências para além das musicais, o que torna cada JOPiano/a muito mais do que apenas um jovem músico que procura partilhar a sua arte.


"Ser JOPiano/a é usar a música e a arte como pilares para a construção do intelecto e da alma."
Maria Luís França

Na tua opinião, quais são as qualidades que tornam um músico bem sucedido?
Algumas das que considero essenciais são a persistência, a coragem, a ambição e a humildade.

Para além disso, considero imprescindível ter uma grande capacidade de trabalho e, claro, paixão pela música.

Qual é a parte mais desafiadora de ser músico?
A luta por uma posição social merecida e justa.

Em que aspeto a JOP te ajuda nesse sentido?
A própria criação da JOP e a continuação da sua existência ao longo destes anos, por si só, já é um exemplo de resiliência, força, coragem e amor. Além disso, é um espaço que me oferece a liberdade de ser eu mesma e de me expressar, ao mesmo tempo que me ajuda a sair da zona de conforto, o que ajuda a aquisição de diversas das competências que referi.


Como te vês?
Uma jovem em permanente busca pela pegada que quer deixar no mundo.

A tua maior virtude?
Ser uma boa ouvinte.

O teu maior defeito?
A falta de confiança em mim, associada a timidez.

Quais são os teus projetos actuais e futuros?
Neste momento encontro-me no 2º ano do Mestrado Integrado em Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto e grande parte do meu tempo é dedicado à vida académica. Num futuro próximo será, talvez, possível o meu envolvimento em projetos que combinam duas das áreas que mais me fascinam, Música e Medicina.

Qual é, para ti, o aspeto mais gratificante da tua vida como músico?
Foi graças à Música que tive a sorte de conhecer uma grande parte das pessoas que mais me são queridas e é muito boa a sensação de poder partilhar o palco e a vida com elas. É também muito gratificante a oportunidade de transportar para este tempo o legado dos vários compositores, dar-lhe vida e partilhá-lo com o público.


O que ouves em casa?
Sobretudo música clássica, indie, rock, algum pop… Ultimamente tenho-me dedicado à descoberta de artistas portugueses.

Quais são os teus interesses para além da música?
Desde criança que adoro animais e essa é sem dúvida uma das características que me define. Passo imenso tempo com o meu cão, o Scott, que é o meu companheiro de caminhadas quase todos os dias. Também pratico equitação desde os 4 anos e durante muito tempo montei semanalmente, o que me ajudou a desenvolver progressivamente um interesse especial por cavalos, que são animais muito inteligentes, com um porte elegantíssimo e com os quais é possível comunicar de uma forma única.

Gosto muito de passar o meu tempo livre a ler, ver filmes ou séries. Tenho a sorte de viver à beira-mar e prezo uma boa caminhada pela praia.

Valorizo também os bons momentos passados em família e entre amigos.

Mais recentemente, comecei a praticar Yoga, o que me tem trazido imensos benefícios, tanto para o corpo como para a mente. Inscrevi-me também como voluntária no Banco Alimentar Contra a Fome do Porto, que nesta altura, mais do que nunca, precisa de toda a ajuda possível, e, desde então, tenho participado em algumas campanhas de recolha de alimentos.


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